sábado, dezembro 22, 2007

Boas Festas e Bom Ano Novo



Nesta época muito especial, quero desejar-vos a todos

Saúde e Paz

ou, como se dizia outrora,

Saúde, sorte e ... dinheiro para gastos.

E, porque a música é sempre uma belíssima companhia, nesta ou em qualquer outra altura, convido-os a entrar em


http://badaboo.free.fr/merryxmas.swf


BOAS FESTAS!

BOM ANO NOVO!



terça-feira, dezembro 18, 2007

"Morre lentamente", de Pablo Neruda


Morre lentamente ...
Quem não viaja, quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente ...
Quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
Não arrisca vestir uma cor nova,
Não conversa com quem não conhece.


Morre lentamente ...
Quem evita uma paixão,
Quem prefere o “preto no branco” e os pontos nos “ii”,
A um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.


Morre lentamente ...
Quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.


Morre lentamente ...
Quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
Não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço
Muito maior do que o simples acto de respirar.


Estejamos vivos, então!

______________________

Pablo Neruda, poeta chileno (1904/1973), de seu verdadeiro nome Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, foi um dos mais importantes poetas e escritores em língua castelhana do século XX.
Recebeu o Nóbel da Literatura em 1971.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

O sucesso da Presidência Portuguesa da União Europeia


Eu ainda sou daqueles que gostam de ver Portugal realizar bem qualquer coisa em que se meta. Dirão que é lamechice minha mas, o que querem, fico todo orgulhoso de ver o meu país brilhar quando consegue atingir determinados objectivos, ainda por cima difíceis, e quando os outros países, ditos grandes, nos olham com a desconfiança que não vamos ser capazes. Enganaram-se.

Por tudo isso fiquei ainda mais contente com a boa prestação da presidência portuguesa da União Europeia, que agora termina.

E, convenhamos, que a agenda proposta era difícil. Havia que aprovar um Tratado que há muito se esperava e que tinha como interlocutores os representantes de alguns países que não estavam para aí virados, como os polacos e os italianos. Havia várias cimeiras prometidas. Desde logo com África, onde o problema era o Zimbabwé e mais uns quantos ditadores africanos que não queriam ouvir falar em direitos humanos. E as cimeiras com o Brasil, com a China e com a Índia.

Era uma missão espinhosa mas, uma vez mais, Portugal saiu-se bem e dignificado. Não é justo,pois, denegrir o sucesso que foi todo o trabalho desta presidência, muito embora não se possam ainda visualizar os resultados que se venham a alcançar resultantes das várias cimeiras.

Uma só coisa, na minha perspectiva, manchou a parte final da assinatura do “Tratado de Lisboa”. Não, não estou a falar daquela deselegância do primeiro-ministro inglês Gordon Brown, que chegou umas quantas horas atrasado. O que eu achei menos conseguido foi a actuação da cantora Dulce Pontes.

Eu que sempre admirei a artista e que acho que ela tem um magnífico instrumento vocal, penso que ela não esteve nos seus melhores dias. Berrou em vez de cantar e a magnífica voz que possui perdeu-se no meio de tantos gritos, ainda por cima numa das mais belas melodias portuguesas de sempre, a “Canção do Mar”.

O que levou algumas más línguas a sugerir que o atraso de Gordon Brown se justificaria porque ele terá feito tudo para escapar à actuação de Dulce Pontes.

Foi uma pena!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

“Estes putos”




Estamos quase no fim-de-semana e é tempo de começarmos a descontrair um pouco para ver se aproveitamos convenientemente a pausa merecida que aí vem.

E lembrei-me de vos indicar um endereço onde podem ver o nosso “primeiro”, José Sócrates, numa divertida montagem de imagens tendo por base o conhecido fado “Os Putos”, cantado por Carlos do Carmo.

Tanto mais que esta brincadeira tem como “protagonista” o próprio José Sócrates, o ainda actual presidente em exercício da União Europeia e um dos principais obreiros do Tratado Reformador, assinado hoje, dia 13 de Dezembro de 2007, em Lisboa, com toda a pompa e circunstância, pelos mais altos dignitários dos 27 da União Europeia.

Vejam então, divirtam-se e bom fim-de-semana


http://www.youtube.com/watch?v=Xmfw2qJhWnQ&feature=related

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O "Tratado de Lisboa" e os acordos


É amanhã formalmente assinado na capital portuguesa o denominado “Tratado de Lisboa”. Para que fosse possível chegar a um consenso com os líderes europeus sobre o novo Tratado reformador, foi necessário um persistente e difícil trabalho diplomático da presidência portuguesa e da ajuda preciosa de alguns outros responsáveis europeus, nomeadamente a chanceler alemã Angela Merkel. Só com grande paciência e habilidade política foi possível ultrapassar todos os obstáculos e conseguir os acordos necessários para que se tornasse possível este objectivo da União Europeia e da Presidência Portuguesa em particular.


Mas não é deste “Tratado de Lisboa” que amanhã irá ter a presença dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia que vos quero falar hoje, pese embora a importância que ele efectivamente tem para a Europa comunitária.

Tão-pouco vos vou falar de um outro “Tratado de Lisboa”, este firmado entre as monarquias da Península Ibérica, em 1864, em que se fixaram definitivamente as fronteiras ainda hoje vigentes entre Portugal e Espanha, exceptuando Olivença que, neste momento, não vem ao caso.


Então do que é que eu pretendo falar hoje, perguntarão inquietos os meus amigos? Justamente dos acordos que estão subjacentes aos “Tratados”. E porquê dos acordos, o que é que eles me preocupam?

NADA, absolutamente NADA! A não ser ...


A não ser a forma como quase toda a gente pronuncia a palavra de uma forma errada, ou seja, dizem “acórdos” quando deveriam pronunciar “acordos” com o o fechado. A toda a hora políticos, membros do governo, jornalistas e pessoas anónimas incorrem nesta asneira crassa quer na Assembleia da República, nos telejornais, em entrevistas, em debates, em tudo o que é sítio. Para mais, muitas dessas pessoas tinham a obrigação e o dever de saber dizer correctamente o plural da palavra, já que, muitos deles, têm assessores que não estão lá apenas para ganhar dinheiro.

Claro está que já tenho ouvido pronunciar a palavra de forma correcta (mal seria que ninguém o soubesse), como o fazem, por exemplo, Pacheco Pereira, Judite de Sousa ou Rodrigo Guedes de Carvalho.


Mas, então, qual é a regra, como é que em português se deve pronunciar correctamente o plural de acordo?

Os substantivos e os adjectivos terminados em o átono, cuja tónica é o fechado, geralmente formam o plural com alteração do timbre da vogal tónica, ou seja, mudando o o fechado para o aberto.

Poder-se-ia, portanto, pensar que o plural de acordo seria acordos (leia-se acórdos). Mas não.

Na verdade, há um conjunto de palavras que mantêm no plural o o fechado característico do singular, como sejam por exemplo: acordos, adornos, bolos, bolsos, cachorros, cocos, consolos, encostos, molhos *, pescoços, etc., etc..

* atenção que os molhos com o fechado dizem respeito a condimentos, por exemplo os diversos molhos que podem acompanhar bifes. Se pronunciarmos molhos (mólhos), com o aberto, estamos, evidentemente, a falar de feixes de qualquer coisa, por exemplo, molhos de alecrim.

A este fenómeno que consiste na alteração do timbre da vogal tónica por influência da vogal átona final, dá-se o nome de metafonia.


Meus caros, esta abordagem àquilo a que poderíamos chamar “o bom português” tem uma finalidade clara. A de podermos todos alertar e ajudar os mais distraídos, recordando que o plural de acordo não é “acórdos”, mas sim acordos, com o fechado.

Estamos de acordo?

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O fim dos nossos usos e costumes?


Penso que a maioria dos que habitualmente visitam este espaço, terá lido o artigo que António Barreto escreveu no Público há umas semanas atrás ou, pelo menos, dele terá tido conhecimento através de mail.

Apesar disso, e correndo o risco de voltar a um assunto que, em termos de notícia, já foi devidamente lida e analisada, penso que o tema continua na ordem do dia e, por isso, não resisto à tentação de o publicar na íntegra.

Sou um admirador confesso de António Barreto que, desta vez, voltou a presentear-nos com um artigo muito bem elaborado e com um conjunto de questões que merecem, pelo menos a nossa reflexão:


“A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da "fast food", para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e "petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
Em frente à Faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.
Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas. Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta "produto não válido", mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro”.


Belo texto a que não falta a ironia que lhe dá um gosto especial. E muito actual também, uma vez que nos vamos interrogando cada vez mais se as leis que nos são impostas por Bruxelas e a determinação com que as autoridades nacionais nos pretendem proteger nos vários domínios, não irão provocar a descaracterização das tradições e dos usos e costumes dos portugueses. “Para nosso bem, pois claro”.

Mas se, genericamente, até estou de acordo com as questões colocadas por António Barreto, não posso, no entanto, deixar de assinalar que a (tão criticada) ASAE - a organização mais falada e odiada do país, como afirma António Barreto – tem tido uma acção extremamente positiva nomeadamente no campo do combate ao comércio ilegal e da segurança alimentar.

Poderá, admito, haver aqui e ali alguns exageros decorrentes dum excesso de legislação - nem sempre elaborada com o bom-senso e o conhecimento exigíveis - ou da aplicação cega por parte da ASAE dessa mesma legislação. Mas temos que reconhecer que a ASAE tem actuado “democraticamente” em vários sectores de actividade, fiscalizando tudo e todos, mesmo aqueles que, em princípio, se julgariam imunes a qualquer fiscalização.

Mesmo com todos esses exageros, e particularmente no que respeita à área da restauração, acreditem que me sinto agora muito mais seguro desde que a ASAE começou a trabalhar.

Tenho, no entanto, uma dúvida para a qual ainda não obtive resposta: “como é que os restaurantes vão confeccionar uma (verdadeira) açorda alentejana, que tradicionalmente é preparada com pão duro, se esses mesmos restaurantes não podem guardar pão de vários dias”?

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Línguas traiçoeiras


A desilusão dos ingleses quando, há umas semanas, a Croácia foi a Wembley vencer a equipa da casa por 3 a 2 e eliminá-la da fase final do Europeu de futebol do próximo ano, já se adivinhava mesmo antes do início do jogo. É certo que a selecção inglesa não atravessa uma boa fase e que os croatas têm uma excelente equipa. Mas o que provavelmente, determinou tão “chocante” desaire foi uma outra coisa que, ainda por cima, nada tem a ver com o futebol.

É que, antes do início da partida, quando perante 90 mil espectadores, o cantor Tony Henry cantou o hino croata, em vez de entoar “Mila Kuda si planina” (Tu sabes, minha querida, como nós amamos as nossas montanhas) trocou inadvertidamente a letra e cantou convictamente “Mila Kura si planina (Minha querida, o meu pénis é uma montanha).

Claro que os ingleses não deram pelo engano do cantor, mas os jogadores croatas não puderam evitar um sorriso que, provavelmente, os descontraiu para o jogo e, daí, o resultado conseguido.

Mas vejam como a troca de duas simples letras numa palavra pode fazer toda a diferença:

“Mila Kuda si planina”

“Mila Kura si planina”

Tal como a portuguesa, a língua croata também é muito traiçoeira.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Alberto, Alberto, olhe essa língua ...

Palavras para quê ... é Alberto João Jardim no seu melhor estilo!

terça-feira, dezembro 04, 2007

De pequenino é que se torce o pepino ...


Depois de há pouco mais de uma semana o juiz-desembargador Clemente Lima, inspector-geral da Administração Interna, ter desancado à grande e à francesa a PSP e a GNR, acusando-as de incompetentes e pouco eficazes, nós os cidadãos comuns pensámos, naturalmente, que as forças de segurança e de investigação tinham colapsado por completo. Apenas a Polícia Judiciária escapou às duras críticas do responsável máximo do IGAI. E isso porque tem outra tutela e porque, presumo eu, é mais competente.

Mas, logo a seguir a termos ficado muito preocupados por já não podermos contar com quem julgávamos confiar para nos proteger, veio a boa notícia que, em Portugal, ainda existem investigadores de alto gabarito. Felizmente!

Foi no preciso momento em que tivemos conhecimento que, após intensas investigações, Pedro Moutinho, o iluminado dirigente da juventude popular, descobriu que o líder parlamentar do partido comunista, Bernardino Soares, teve estreitas e perigosas ligações com organizações terroristas em Novembro de 1975.

Moutinho para além desta importantíssima revelação, afirmou também ter descoberto que a deputada do Bloco de Esquerda, Ana Drago, em 25 de Novembro de 1975, fez parte dos grupos que se barricaram na Ajuda para fazerem frente ao avanço das tropas de Jaime Neves.

Sem querer pôr em causa a pesquisa do esforçado e brilhante investigador, devo dizer que não me espanta minimamente que os nomes agora divulgados tenham pertencido efectivamente a células terroristas, no chamado verão quente de 1975.

O que me surpreende, isso sim, é como é que eles conseguiram ser protagonistas de tamanhos “distúrbios revolucionários”, uma vez que em 1975, Bernardino Soares tinha quatro anos de idade e Ana Drago apenas três meses.

Com toda a propriedade pode dizer-se que “De pequenino é que se torce o pepino”!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

A ser verdadeiro, até dói ...


Claro que quando ontem me mostrei preocupado com as alterações ortográficas que vão ser introduzidas na nossa língua, essa preocupação apenas diz respeito a uma parte do problema, o qual se pode denominar genericamente de “como se pode escrever tão mal o português”.

Não basta que não se cometam calinadas ao nível da ortografia, é necessário também que os textos façam sentido e que obedeçam minimamente às regras gramaticais em uso, nomeadamente a sua sintaxe.

E, para demonstrar que a minha preocupação tem razão de ser, vejam este “naco de prosa” que, supostamente, faz parte de um relatório elaborado pelo árbitro de futebol Carlos Xistra quando, na época passada, este senhor mostrou um cartão amarelo ao jogador do Benfica, Micolli, no jogo em que os encarnados defrontaram o Estrela da Amadora.

O texto circula pela net e custa-me até a crer que seja verdadeiro. Mas a ser ...


** RELATÓRIO DO ÁRBITRO CARLOS XISTRA **

... "O jogador da equipa visitada, Micolli, desmandou-se em velocidade tentando desobstruir-se no intuito de desfeitear o guarda-redes visitante. Um adversário à ilharga procurou desisolá-lo, desacelerando-o com auxílio à utilização indevida dos membros superiores, o que conseguiu. O jogador Micolli procurou destravar-se com recurso a movimentos tendentes à prosecução de uma situação de desaperto mas o adversário não o desagarrava.
Quando finalmente atingiu o desimpedimento desenlargando-se, destemperou-se e tentou tirar desforço, amandando-lhe o membro superior direito à zona do externo, felizmente desacertando-lhe.

Derivado a esta atitude, demonstrei-lhe a cartolina correspectiva." ...



Se este texto for mesmo verdadeiro, começamos então a perceber porque é que os relatórios dos árbitros nunca são do conhecimento público...

Em qualquer dos casos, e mesmo sendo adepto do Benfica, acho que se o Micolli, depois de se desenlargar, realmente amandou com um dos membros contra o adversário, fez muito bem o árbitro Carlos Xistra ter-lhe demonstrado a cartolina correspectiva.

domingo, dezembro 02, 2007

O Novo Acordo Ortográfico


Ao que parece, e de acordo com o noticiado pela “Agência Lusa” e pelo “Semanário SOL” agora é que, finalmente, vai ser assinado o tão anunciado acordo ortográfico da língua portuguesa.


A partir de Janeiro de 2008, os países da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - terão a ortografia unificada. Ou seja, todos iremos escrever da mesma forma o português, que é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol.


Pelo que dizem, o facto de haver duas ortografias dificulta a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Pelo contrário, a sua unificação, facilitará a divulgação da língua. É o que dizem mas, cá para mim o argumento não me convence, muito embora eu saiba que os brasileiros não percebem lá muito bem o que dizemos e os livros de autores portugueses (os poucos que se vendem no Brasil) têm que ser traduzidos para português do ... Brasil. Mas adiante ...


Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário escrito em português de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas, note-se, todas estas alterações dizem respeito apenas a mudanças ortográficas e nada mais.

Cabe-me, porém, colocar algumas reticências quanto à forma como este acordo foi concertado. A pressão exercida pelo Brasil conseguiu levar o nosso país a aceitar um acordo que, provavelmente, nunca desejou e que nunca foi consensual. A língua mãe é portuguesa, nascida em Portugal e foi o Brasil, herdeiro dessa língua, que conseguiu um acordo à sua medida, com uma reduzida percentagem de alterações para eles. E pergunto, será que nestes anos todos em que discutiram o acordo, não tivemos capacidade nem firmeza para impor a nossa vontade? Se isto se tivesse passado com a língua inglesa, será que a Inglaterra se sujeitaria ao mesmo perante os Estados Unidos? Duvido.

O que vai, então, mudar na ortografia?
Vejamos alguns exemplos:

As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiros (e os outros) terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo".


Mudam-se as normas para o uso do hífen no meio das palavras; O hífen vai desaparecer do meio de palavras, com excepção daquelas em que o prefixo termina em “r”, casos de "hiper-", inter-" e "super-". Assim passaremos a ter "extraescolar", "aeroespascial" e "autoestrada".


Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do substantivo dos verbo "crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes, ficando correcta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem". Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e amámos" em oposição a "amamos".


O trema (brasileiro) desaparece completamente. Estará correcto escrever "linguiça", "sequência", "frequência" e "quinquénio" ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.


O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de "k", "w" e "y". O acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição). No Brasil, haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia". O certo será “assembleia”, “ideia”, “heroica” e “jiboia”. Estas duas últimas palavras também levavam acento agudo no nosso país.

Em Portugal, desaparecem da língua escrita o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como em "acção", "acto", "adopção" e "baptismo". O certo será “ação”, “ato”, “adoção” e “batismo”;

Também em Portugal elimina-se o "h" inicial de algumas palavras, como em "húmido", que passará a ser grafado como no Brasil: "úmido";

Portugal mantém o acento agudo no “e” e no “o” que antecedem o “m” ou o “n”, enquanto o Brasil continua a usar o circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus;

Muito embora o protocolo do “Novo Acordo” deva ser assinado até ao final deste ano, as alterações só produzirão efeito a partir de 2017. Temos, portanto, dez anos para nos acostumarmos à ideia, mas estou em crer que o caos linguístico está para chegar. Parece-me muito difícil que aqueles que, nos diferentes países escreveram o “nosso” português durante anos e anos, consigam agora aprender e redigir a nova grafia que aí vem.

Acredito que para as novas gerações, aquelas que nos próximos anos comecem a aprender a escrever, esta alteração profunda não constitua uma dificuldade mas, para todos os outros, a confusão vai ser enorme. E se hoje já nos queixamos dos frequentes erros ortográficos que vamos vendo por aí, daqui a algum tempo, essas queixas vão aumentar significativamente e todos nós ficaremos incluídos no enorme grupo daqueles que vão escrever mal a nossa língua.

Se calhar, é tempo de voltarmos aos tempos da nossa infância e começarmos, de novo, a fazer cópias e ditados.

Vai ser um verdadeiro “ato” de coragem!