quinta-feira, dezembro 04, 2008

A luta

Esta coisa extraordinária que é a democracia, dá-nos, quando bem utilizada, a possibilidade de exprimir livremente as nossas opiniões. E é exactamente por isso que hoje me atrevo – e eu sei que tenho amigos que têm posições completamente diferentes da minha – a dissertar um pouco sobre esta confusão imensa que assentou arraiais no reino da educação.

Na minha perspectiva, a greve que ontem os professores levaram a cabo não trouxe nada de novo. Em relação à adesão, os números, como habitualmente, divergem. A Plataforma Sindical dos Professores disse que foram 94% e o Ministério da Educação afirmou que aderência teria ficado nos 61%, embora reconhecesse que “estávamos perante uma greve significativa”.

Enquanto que a Plataforma afirmou que “foi a maior paralisação de docentes em Portugal”, o Ministério replicou que “encerraram apenas 30% das escolas.

Já hoje os professores vão fazer uma vigília de dois dias junto ao Ministério de Educação, na 5 de Outubro em Lisboa .

O certo é que continuam em disputa o estatuto da carreira docente e o actual modelo de avaliação dos professores, tudo num braço-de-ferro entre professores e Governo que não pára, que fecha escolas, que deixa os pais preocupados e as crianças e adolescentes felizes por não terem aulas e que, em última análise, só prejudica alunos e famílias.

E para nós, população comum não docente, o que sobressai desta luta sem fim à vista, é que quer o Ministério quer os Sindicatos não querem ceder nas suas posições. Sobretudo os Sindicatos que estão totalmente irredutíveis apesar dos responsáveis da Educação terem já aceite alterar algumas matérias, perante as exigências apresentadas pelos professores. Simplificou o modelo, adiou os efeitos da sua aplicação, alterou muitas das suas permissas e sentou-se à mesa para negociar.

O que transparece para a opinião pública é que o que de facto interessa aos professores e aos Sindicatos que os representam, é que não se faça qualquer avaliação e que todos, sem excepção, cheguem ao fim da carreira, independentemente dos méritos de cada um.

E se assim for, isso não contribui para a melhoria da qualidade do ensino nem para a dignificação dos próprios professores. Em todas as actividades existe avaliação e nem todos os profissionais considerados bons nas empresas conseguem atingir o topo.

E se é certo que terá havido alguns erros neste processo por parte do Ministério da Educação, sobretudo na deficiente comunicação com os professores e nalguma burocratização excessiva, não é menos verdade que os problemas entre as partes existem desde a imposição das aulas de substituição, do inglês obrigatório no primeiro ciclo e das escolas abertas até mais tarde.

Mas, convenhamos, não há modelos perfeitos e os que são implementados são sempre alterados nos anos seguintes com melhoramentos que as necessidades e o bom-senso aconselham. É assim que acontece nas empresas privadas e em algumas empresas públicas que conheço.

Portanto, e concluindo, é inadmissível que não haja um modelo de avaliação. Então, se este não serve o que é que as estruturas dos professores propõem em alternativa. Nada, ao que sei. Apenas pretendem suspender este modelo, ou como já ouvi a um responsável sindical, a substituição poderia passar pela ideia de uma auto-avaliação. Só podem estar a brincar.

Os Sindicatos com a radicalização das suas posições e a falta de apresentação de alternativas sérias, também em nada ajudam a moralização e a credibilização que os professores tanto almejam e merecem. Está em causa, ao fim e ao cabo, a sua dignidade e respeito.

Sem estar por dentro dos detalhes do projecto, só posso avaliar a situação pela que vou ouvindo às diferentes partes em confronto, aos analistas e aos comentadores. E a minha sensação, como de resto tenho constatado que é comum à generalidade das pessoas, é que com este tipo de radicalismos não vamos a parte alguma.

E é pena, por que os verdadeiros destinatários dos avanços do sistema educativo – os alunos – nada ganham com todo este imbróglio.

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