segunda-feira, setembro 20, 2010

Afinal, esperamos o quê?



Estava para escrever sobre este assunto nos próximos dias mas o Director do Expresso, Henrique Monteiro, “antecipou-se” e publicou no último sábado um excelente artigo intitulado “O Estado Social e a Demagogia” (de que transcrevo uma parte) em que reflecte bem o impasse a que se chegou na sociedade quanto ao Estado Social, a exemplo, aliás, do que acontece com as demais matérias que têm a ver com o dia-a-dia das populações e dos países.

“… o grande problema, que quase ninguém entre nós aborda, é este: o Estado social está ameaçado em toda a Europa e não só em Portugal, mas não por uma mirífica direita. Está ameaçado porque concedendo direitos que hoje consideramos inalienáveis, tornou o factor trabalho caro, ao mesmo tempo que a globalização permitiu que países sem regras de humanidade social produzam bens muito baratos, beneficiando de deslocalizações e/ou através de mão-de-obra miseravelmente retribuída. O velho Ocidente endivida-se às mãos de chineses, indianos, brasileiros, angolanos ou russos. Os défices sucessivos vão obrigar-nos a refrear inúmeros direitos e subsídios que agora distribuímos. E este é um problema de hoje que é preciso resolver. Reduzi-lo à simples paróquia da política portuguesa, uma divisão entre bons e maus, é uma demagogia pegada …”

Eu não diria melhor. O diagnóstico está feito há muito e é conhecido de todos. Por isso pergunto, então do que é que estamos à espera para avançar com as soluções. Nós e especialmente a União Europeia a que pertencemos e que deve ser o motor das medidas necessárias para combater a situação.

A maioria de nós reconhecerá que já não temos Estadistas com uma visão estratégica para o país para, pelo menos, cinco ou dez anos. Contudo, ainda acredito que haja por aí alguns políticos inteligentes e sensatos que, em conjunto com uns quantos tecnocratas competentes, possam salvar-nos. É que continuando nesta inércia que nos arrasta para o fundo, alimentando demagogias que a ninguém interessam, só poderemos esperar o pior das ameaças que pairam assustadoramente sobre as nossas cabeças.



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