sexta-feira, julho 17, 2015

E agora, onde é que os críticos se esconderam?



Quando em Novembro de 2011, José Sócrates dizia a jovens universitários, numa conferência realizada em Poitiers, "Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei" não faltaram montanhas de comentadores a criticarem o ex-Primeiro-Ministro. Então o homem tinha levado o país ao estado em que se encontrava, praticamente em banca rota e ainda tinha o desplante de - "com toda a cara de pau" - dizer à rapaziada que essa coisa da dívida era uma ideia de criança. Ao que se tinha chegado ...

A semana passada a ex-Ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, insuspeita de gostar de Sócrates ou de, minimamente, alinhar nas mesmas ideias do que ele, afirmou: "os países europeus - e não só a Grécia - não vão conseguir pagar as suas dívidas e esse problema deve ser pensado já pela União Europeia".

Pois é, entre "as dívidas dos Estados que são por definição eternas" de José Sócrates e "os países europeus não vão conseguir pagar as suas dívidas" de Ferreira Leite, parece-me que existe apenas uma pequeníssima passada de pardal. Só que não ouvi agora, como então, quaisquer comentários dos mesmíssimos e ilustres comentadores de serviço. Afinal, onde é que eles se esconderam?